No Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro (HMDCC) o setembro é verde.

Verde para falar sobre a importância da doação de órgãos para salvar vidas. Verde para lembrar o quão relevante é o papel do profissional de saúde na sensibilização das famílias. Verde para celebrar os resultados da história de um hospital jovem, inaugurado em 2015, e que é o segundo estabelecimento de saúde Minas Gerais que mais efetivou doações de órgãos e tecidos no primeiro semestre de 2020.

Enfermeira do HMDCC, Adriana Fernandes integra a Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) desde a sua criação, em 2017. Para ela, os bons resultados são fruto da adesão da equipe aos protocolos que norteiam a condução dos casos de morte encefálica na instituição. “Percebemos que os profissionais do HMDCC abraçaram a causa, que estão sempre buscando informações sobre o assunto e fortalecendo internamente a cultura de sensibilização e captação de doadores”, pontua.  

Tanto é que, com a pandemia de COVID-19, esperava-se que a captação do HMDCC pudesse ser impactada negativamente. Mas não. Adriana explica que em razão da exigência do resultado negativo para COVID-19 para efetivação da doação, o tempo de espera das famílias que usualmente é de 18 horas passou para 48 horas. “Isso não inviabilizou a aceitação”, afirma.

Coordenadora da CIHDOTT, a médica Luciana Gaspar avalia que foram surpreendentes os resultados do primeiro semestre de 2020. “Não só conseguimos manter o número de notificações quanto aumentamos o número de doações efetivadas”, afirma. Luciana salienta que alguns pacientes com protocolo fechado de morte encefálica e doação consentida pela família, infelizmente, não puderam doar em razão do teste positivo para COVID-19.

Para ela, os resultados evidenciam que o empenho da equipe tem salvado vidas de pacientes à espera de um transplante. “Apesar de todo o contexto difícil da pandemia conseguimos ainda assim melhorar os resultados em comparação aos anos anteriores”, observa.

Ampliação da captação
O próximo passo da CIHDOTT do HMDCC é treinar as equipes dos andares de enfermaria para a abordagem com a família. Com as medidas de restrição de contato em razão da pandemia, o projeto de ampliação da CIHDOTT precisou ser adiado. “O que percebemos é que o potencial é muito grande e que podemos aumentar os nossos números em relação a doação de córneas ao incorporar as equipes dos andares de internação”, observa Luciana Gaspar.



Campanha de 2020
Com foco na sensibilização para a doação de órgãos, trabalhadores do HMDCC e das empresas parceiras protagonizaram a campanha Setembro Verde de 2020. O mote utilizado foi a importância da informação para combater o medo e a insegurança. Para isso, a equipe da CIHDOTT levantou as principais dúvidas que as famílias têm ao serem abordadas pela equipe do hospital para a autorização da doação de órgãos.

O medo de uma suposta antecipação da morte, a esperança de um possível retorno à vida e da consciência, a aparência do corpo após a doação, o desejo de conhecer as pessoas transplantadas foram questões apresentadas à comunidade hospitalar e aos usuários.

Uma dúvida também persistente é o que é preciso fazer para se tornar um doador ou doadora. Muitas pessoas ainda acham que é necessário formalizar esse desejo por escrito ou ter a informação na carteira de identidade. Essas práticas não são mais adotadas. Para ser doador, basta manifestar o desejo à família.