Um único objetivo [a melhora do paciente], mas diferentes olhares. A atuação em equipe multidisciplinar proporciona um cuidado integral, atento às múltiplas necessidades do ser humano.

A vida da psicóloga Thiany de Oliveira Araújo, 31 anos, mudou completamente após ser vítima de um atropelamento em Ponte Nova, quando retornava do trabalho para casa. Naquele 6 de julho, os planos foram interrompidos bruscamente. Transferida para BH para realização de complexas cirurgias, ela está há quase 2 meses internada no Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro.

“Estava no limite do meu estresse. É muito difícil, no dia-a-dia da internação, se ver sem opção”, relata. O sentimento mudou quando, em uma consulta com a terapia ocupacional, ela percebeu que poderia conduzir o rumo da sua experiência como paciente.

“Agora, abrimos a janela todos os dias para ela ver que tem uma cidade inteira esperando por ela lá fora”, fala a mãe de Thiany, Eliana Maria da Silva Oliveira.

“Acho que estava me escondendo. Eu só ficava no escuro, deitada. A terapeuta ocupacional me convidou a ficar sentada, me ofereceu opções de atividades terapêuticas. Perceber que tinha alternativas, me ajudou a refletir e absorver que eu poderia melhorar”, relata a paciente.

A postura mudou, o astral também. Thiany começou a colorir. “Foi a primeira vez desde a minha infância. Essa atividade me prende, me tira a ansiedade, me faz concentrar. Eu não queria fazer avacalhado e isso exige foco, escolhas e decisão”, diz.

Ver a paciente bem é o melhor retorno que o profissional de saúde pode receber. Terapeuta ocupacional, Juliana Pantuza explica que a atividade de colorir como proposta de intervenção terapêutica tem por objetivo minimizar os impactos negativos trazidos pelo processo de internação que se apresenta como uma ruptura na vida do indivíduo.

“A atividade possibilita redução da ansiedade, ampliação do repertório ocupacional no contexto hospitalar, autonomia, senso de capacidade, proporciona estímulos cognitivos, psíquicos, sensoriais e motores. Ou seja, contribui para melhor experiência do paciente diante do processo de internação”, afirma.

  • “Foi a primeira vez desde a minha infância. Essa atividade me prende, me tira a ansiedade, me faz concentrar”, afirma Thiany Aparecida de Oliveira de Araújo, paciente do HMDCC (Foto: Valéria Mendes)