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O Hospital Célio de Castro iniciou, neste mês, um novo capítulo na sua trajetória de doação de órgãos.
No dia 1º de junho foi realizado pela equipe da própria instituição a primeira captação de córneas em doador com morte de coração parado.
Antes disso, a captação era realizada pela equipe do Banco de Tecidos Oculares do Hospital João XXIII, somente em doadores e doadoras com diagnóstico de morte encefálica
O primeiro sim de uma família no novo capítulo dessa história significa a oportunidade de o hospital contribuir para que pessoas que estão na fila de transplante há anos voltem a enxergar.
Para se ter uma ideia, antes da pandemia de Covid-19, o tempo de espera na fila de transplante de córneas era de um a três meses. As captações foram suspensas em função da situação de emergência sanitária global da época, a fila foi crescendo e, atualmente, a espera passa de três anos.
ENUCLEAÇÃO
A autonomia para a captação de córneas (em caso de morte de coração parado) é importante porque vai permitir mais agilidade no processo e, consequentemente, a redução da fila de espera.
Atualmente, três enfermeiros do Hospital Célio de Castro estão aptos a fazer a enucleação. Esse é o nome técnico do procedimento cirúrgico que consiste na remoção completa do globo ocular do doador ou doadora.
Importante salientar que após a retirada do globo ocular o enfermeiro utiliza uma prótese de reconstrução para não impactar a aparência da pessoa doadora.
Tudo é feito com o maior respeito à memória do doador e de sua família.
Captação 100% autônoma
Em 28 de dezembro de 2017, o Hospital Célio de Castro realizava sua primeira captação de órgãos.
De lá para cá, o trabalho da Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) vem crescendo e se aprimorando.
Se você não sabe, o hospital é o segundo maior captador de Minas Gerais, atrás apenas do Hospital João XXIII.
LINHA DO TEMPO DO SERVIÇO DE ENUCLEAÇÃO DO HOSPITAL CÉLIO DE CASTRO:







Integrante da CIHDOTT-HMDCC, Edvaldo Luiz da Silva, é um dos enfermeiros habilitados a fazer a enucleação (captação de córneas) e autor da primeira captação da instituição.
Ele conta que nenhum óbito de coração parado registrado no Hospital Célio de Castro passava por avaliação da CIHDOTT para indicar ou não a elegibilidade da doação de córneas.
Em julho de 2025, o protocolo de enucleação começou a ser produzido e um primeiro passo foi dado: a equipe do Banco de Tecidos Oculares do Hospital João XXIII vinha ao hospital fazer a captação.
Em novembro do ano passado, ocorreu a primeira captação nesse formato, mas ainda sem a autonomia do hospital. “Era a própria equipe do ‘Banco de Olhos’ que vinha fazer a captação das córneas”, explica Edvaldo.
Nessa época, a sensibilização da família era feita pela equipe da CIHDOTT, que já acumula experiência em razão de o protocolo de morte encefálica já estar bem estruturado.
Em dezembro de 2025, foi iniciada a implementação do formulário de avaliação de todos os óbitos de coração parado para identificar os potenciais doadores de córneas. Em março, a compra de materiais foi concluída, o protocolo foi finalizado e, em maio, o serviço estava totalmente estruturado. Faltava aguardar a oportunidade da primeira captação de córneas.
Sensibilização
A doação de órgãos é um tema sensível que necessita do envolvimento multiprofissional, que é protagonizado pelas equipes da CIDOHTT e acontece pós-notícia do falecimento.
Envolve acolhimento, escuta e cuidado com o luto da família.
É papel do hospital apresentar a possibilidade de doação de órgãos à família que tem o direito de doar ou não. Não há julgamento em relação à decisão tomada.
Resultados iniciais
Com a organização do Serviço de Enucleação no Hospital Célio de Castro, em 2026, 22 córneas foram captadas pelo Banco de Tecidos Oculares do Hospital João XXIII. Do total desse número, 20 foram de coração parado e duas de morte encefálica.
Com a primeira captação 100% autônoma ocorrida em 1º junho, o Hospital Célio de Castro captou 24 córneas, um resultado inicial satisfatório.
Quem pode doar
A janela de oportunidade para doação de órgãos (em caso de morte por coração parado) é de seis horas após o falecimento e pode chegar a 24 horas se o corpo for mantido em câmara fria.
As famílias são abordadas desde que o paciente esteja apto.
Tem vontade de ser doador ou doadora?
A doação de órgãos é assunto de família. Por isso, inicie essa conversa para que você tenha oportunidade de salvar vidas.